quarta-feira, 16 de setembro de 2009




rafael decidiu falar comigo novamente...
ainda não se sentia bem!
diz que apenas vê a solução mais fácil à frente, que ainda não têm estômago para conseguir digerir aquelas coisas...
falou-me que os seus amigos cada vez mais lhe diziam que não era normal...

ele também achava que já lá ia demasiado tempo...
mas não se consegue desprender, as molas são fortes de mais, têm o aço bem marcado.
todos os dias ele tentava não pensar sobre o assunto.
e, de facto, por vezes, conseguia.
disse-me que quando tinha pessoas à sua volta, conseguia sorrir...
... mas quando sentia o terror de estar sozinho, nem que por 5 minutos que fosse, voltava os leves e breves pensamentos à ideia...
diz que se sente numa dualidade, porque, vejamos: se quando está sozinho ele diz que está pior, então porque é que de facto ele insiste em estar sozinho?
eu fiz-lhe esta pergunta...




rafael baixou a cabeça...
os olhos encheram-se do liquido translucido que ele tantas vezes vira ultimamente....
ele queria deixar de ter este tipo de ideias...

ergueu os olhos e, num tom muito baixinho, disse-me que apenas gostava de voltar a ser ele mesmo...
gostava apenas de poder sair de casa e de se sentir bem,
de dormir uma noite descansado,
de poder voltar a sorrir, sem fingir...


rafael queria apenas não tentar a solução mais fácil...


rafael está cada vez mais fraco,
os braços arqueiam,
as mãos fecham-se
rafael sente cada vez mais o vento a passar-lhe entre os dedos...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Perfeito Vazio




Aqui estou eu
Sou uma folha de papel vazia
Pequenas coisas
Pequenos pontos
Vão me mostrando o caminho

Às vezes aqui faz frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no Vazio
As vezes aqui faz frio

Sei que me esperas
Não sei se vou lá chegar
Tenho coisas p'ra fazer
Tenho vidas para a acompanhar

Às vezes lá faz mais frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio

(lá fora faz tanto frio)

Bem-vindos a minha casa
Ao meu lar mais profundo
De onde saio por vezes
Para conquistar o mundo

Às vezes tu tens mais frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio
No teu peito vazio

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Segue o teu destino


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te.
A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


Ricardo Reis

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Divagações...

"E tu sabes que eu sei, mas ages como se nada fosse, como se do contrário se tratasse..."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

(...)
rafael era, de facto, uma pessoa porreira!

para além de ser bom rapaz, tinha algo que o fascinava: era bom observador!
digo que o fascinava, porque para os outros era algo que não era muito visivel...
ele conseguia observar tudo tão bem, que ligava aos infimos pormenores, mesmo áquelas questões que os comuns mortais nao conseguiam ver, por mais que abrissem os olhos...


tinha um aspecto cabisbaixo...


outra coisa que revelava, era agilidade e raciocinio...


mas rafael sentia-se um pouco distante, não encontrava quem o acompanhasse...
em tempos, conhecera alguém que de algum modo o tentou superar! era uma pessoa diferente, julgava ele!

como sempre, com o ritmo dos dias, foi mais uma pessoa que se tornou vulgar, igual a tantas outras (e a muitas que ele já conhecera...)
ele não negava que não existissem referências, como ele gostava que lhe chamássemos... mas defendia que era diferente, que queria mais, que aquilo já nao chegava...

rafael decidiu então olhar para ele próprio, e guiar-se segundo aquilo que o seu intimo lhe dizia... não deixou, nem por um segundo, que os vulgares interferissem de algum modo com a sua vida... começou a fazer, apenas, aquilo que lhe dava mais prazer, a aprender a sorrir com as coisas mais infimas e absurdas, a conseguir saltar novamente à corda, como uma criança...

rafael decidiu que era altura de olhar mais para si...

para si...
(...)
[FP]

Carta do Dia: O diabo!

Assumindo o uso do poder e do magnetismo pessoal

Vivemos numa sociedade que nos leva a sentir culpa quando assumimos as rédeas do nosso destino, quando assumimos o uso do poder. Todavia, existem circunstâncias em que não podemos ser tão “bonzinhos” assim, em que precisamos – devemos! – assumir uma postura de maior competição e desejo pelo poder sobre as coisas do mundo. O arcano XV como conselho para este momento de sua vida, Fábio, chama a atenção para a importância do cultivo do magnetismo pessoal para conquistar coisas no mundo material. Não tenha pudores de fazer valer sua força de autoridade quando sentir que é devido. Cuidado, apenas, para não se deixar levar por emoções extremas demais.

Conselho: Não temer o uso do próprio poder!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009



Vou ausentar-me, que bem preciso...

Boas Férias!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

De hoje em diante...


Sinto que hoje, de novo, as minhas palavras voltam a ter o mesmo impacto de antigamente...


Oiço as mesmas musicas de ontem, mas com um efeito diferente...

Hoje sinto-me na necessidade de olhar para o meu umbigo, sentar-me de longe e ver a caravana passar, enquanto os cães ladram...

Hoje sei quem sou, volto a reconhecer-me, volto a olhar para a minha cara e a desejar ser a mesma pessoa, de sempre...

Sei que não tenho posse sobre tudo o que queria. Não nego que ás vezes não gostaria de ter, poder controlar tudo aquilo que eu quero...

Mas as minhas mãos grandes por vezes agarram pouca coisa, e a areia escapasse-me entre os dedos sem eu me dar conta...

Não quero de forma alguma tornar este discurso negativo, porque se há coisa que estou hoje não é negativo, mas precisamente o contrário...


Deixo a areia escaparse-me entre as mãos, e fecho os olhos a muita coisa que tenho à minha volta, podendo abri-lo para outras, sem pestanejar nem uma unica vez...

Agarro a vida com unhas e dentes, porque afinal sou a melhor pessoa do mundo...

Porque afinal hoje não vou ler Tudo o que temos cá dentro, nem sequer pensar em coisas que me ponham em baixo.


Tenho os dias contados, como todos o temos, por isso quero abrir o meu corpo a tudo o que me reodeia, e esquecer aquilo que me derruba...


Quero hoje ir ver a minha Manela, saltar, dançar e pular, como tão bem sei fazer...


Quero hoje voltar a ser o rapaz de antigamente, com as suas nóias, os seus piores defeitos, mas também com as suas melhores qualidades...


Agora é a altura de fechar aquilo que tem de ser fechado no baú, e abrilo mais tarde sempre com um sorriso na cara.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Para ver claramente, basta mudar a direcção do olhar

Antoine de Sain-Exupéry

Carta do Dia: A Torre Fulminada


Eliminando o que não serve mais


O arcano XVI emerge como arcano conselheiro para este momento de sua vida, Fábio, sugerindo que é chegado um importante momento em sua existência: o tempo para romper com tudo aquilo que não lhe serve mais e que você preservava apenas por manutenção de fachadas. Estas coisas que precisam ser eliminadas podem ser (e geralmente são) internas e têm a ver com hábitos, modelos mentais e expectativas falsas. Mas podem ser também relacionamentos falidos, projetos que não dão em nada, ou seja, qualquer coisa que não faz mais nenhum sentido em sua vida e que você talvez não tenha ainda a coragem de eliminar. Todavia, é preciso agir, caso contrário a negatividade se tornará pior. Enfrente com coragem este momento de varredura radical!


Conselho: A coragem é necessária para enfrentar problemas de difícil solução.


Pensamento do Dia