
Sinto que hoje, de novo, as minhas palavras voltam a ter o mesmo impacto de antigamente...
Oiço as mesmas musicas de ontem, mas com um efeito diferente...
Hoje sinto-me na necessidade de olhar para o meu umbigo, sentar-me de longe e ver a caravana passar, enquanto os cães ladram...
Hoje sei quem sou, volto a reconhecer-me, volto a olhar para a minha cara e a desejar ser a mesma pessoa, de sempre...
Sei que não tenho posse sobre tudo o que queria. Não nego que ás vezes não gostaria de ter, poder controlar tudo aquilo que eu quero...
Mas as minhas mãos grandes por vezes agarram pouca coisa, e a areia escapasse-me entre os dedos sem eu me dar conta...
Não quero de forma alguma tornar este discurso negativo, porque se há coisa que estou hoje não é negativo, mas precisamente o contrário...
Deixo a areia escaparse-me entre as mãos, e fecho os olhos a muita coisa que tenho à minha volta, podendo abri-lo para outras, sem pestanejar nem uma unica vez...
Agarro a vida com unhas e dentes, porque afinal sou a melhor pessoa do mundo...
Porque afinal hoje não vou ler Tudo o que temos cá dentro, nem sequer pensar em coisas que me ponham em baixo.
Tenho os dias contados, como todos o temos, por isso quero abrir o meu corpo a tudo o que me reodeia, e esquecer aquilo que me derruba...
Quero hoje ir ver a minha Manela, saltar, dançar e pular, como tão bem sei fazer...
Quero hoje voltar a ser o rapaz de antigamente, com as suas nóias, os seus piores defeitos, mas também com as suas melhores qualidades...
Agora é a altura de fechar aquilo que tem de ser fechado no baú, e abrilo mais tarde sempre com um sorriso na cara.


