quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Aceita o Universo...

Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.

Se há outras matérias e outros mundos
Haja.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

terça-feira, 4 de agosto de 2009

dias

em certos dias não apetece ter muita gente à volta... então, lê-se um livro, por exemplo.
pessoas falam comigo, oiço as suas vozes, mas não percebo aquilo que dizem, porque as ideias andam a 1000 à hora na minha cabeça (ou seja, oiço tudo, menos aquilo que a pessoa está a dizer)...
sabe sempre bem fugir um pouco, para um canto que naquela altura é só meu.
ouve-se uma musica na rádio, que por acaso é a adequada (para não dizer que é realmente aquela que se quer ouvir...)
fumam-se 3 cigarros, apenas o primeiro aceso com um isqueiro, os restantes acesos uns pelos outros...

e um trecho fica na cabeça:

... não compreendes, pai, que não posso dormir enquanto não deitar cá para fora tudo o que tenho cá dentro, recordações, desejos, poeiras no caminho, ando esquecido de como se sorri, às três da manhã gostaria que alguém ouvisse as minhas queixas, não, não tenhas medo, pai, a morte da Rita não mudou a minha vida, vou falar mais com este médico que arranjaste e entrar na Faculdade, quem mudou a minha vida foi a morte do avô, é como se ouvisse um barulho ao longe, a sua voz rouca chega a mim devagarinho, um ruído estranho...



(*) - Tudo o que temos Cá Dentro, de Daniel Sampaio

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ouvi Dizer...




Ornatos Violeta
estava num dado carro, e pus-me a pensar no efeito que pequenas coisas podem ternas nossas vidas, e na nossa maneira de pensar.
neste caso foi uma musica, que por sinal até nem me dizia muito.
mas senti um frio na barriga, e parece que algumas coisas ficaram mais fáceis...
... que me consegui valorizar mais, pensar mais em mim, menos nos outros, e esquecer outras tantas coisas...
tenho plena noção que é "do momento", e que não perdura.
amanhã quando me levantar outra vez, irei sentir a mesma coisa, pensar da mesma maneira e agir de igual modo.
mas não deixa de se tornar interessante reflectir sobre isto, e tentar perceber qual o efeito, arranjar uma explicação lógica para o "frio no estômago" que senti, e a força enorme de me levantar daquele banco e começar a correr, de começar a sair daqui para outro sitio, a visitar sitios novos, e conhecer outra gente...

amanhã logo se vê, o momento foi bom!

sábado, 4 de julho de 2009

Há dias e dias...


os dias correm cada vez mais depressa...
ás vezes nem dou pelo passar do tempo!
ás vezes...
sim... por momentos (ou em certos momentos), o tempo demora a passar!
se há dias que nem os vejo, outros há que me apercebo (demasiado) daquilo que se passa comigo, e à minha volta.
tenho saudades do antigamente!
de quando tudo era mais simples, de quando nunca de parava de pensar em mim, e menos nos outros...
aí é que está o problema!
pensar mais em mim, e menos nos outros...

mas agora não sinto que tenha forças para descobrir como voltar a fazê-lo...
parece mais fácil deixar-me levar, e deixar de pensar em mim, de fazer aquilo que sempre fiz...

lembro-me de alturas em que acordava e me deitava a sorrir... com um sorriso de orelha a orelha...
lavava-me,
vestia-me,
e saía de casa...
o sorriso continuava, e acompanhava-me para onde quer que fosse...
ás vezes insistia em sair da minha boca, mas eu não deixava...
parece que possuia estratégias, forças para que isso não acontecesse...
chegava novamente a casa,
jantava,
e quando ia dormir o sorriso permanecia
(nem sei se não estava comigo enquanto dormia...)

Agora não é bem assim.
há dias de sorriso (ou momentos de sorriso)
e há dias de não-sorriso [definitivamente que de outra forma a expressão seria demasiado negativa...] ...

"Leva-me pra casa"... e mostra-me o caminho!

domingo, 7 de junho de 2009

Eu Queria Ter o Tempo e o Sossego Suficientes

Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes

Para não pensar em coisa nenhuma,

Para nem me sentir viver,

Para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido.

Alberto Caeiro

Recomendo...



"Anjos e Demónios", de Dan Brown...


Anterior ao mega sucesso ''O Código Da Vinci'', este '' Anjos e Demônios'' é o terceiro romance do escritor Dan Brown e que apresentava pela primeira vez o professor de Harvard Robert Langdon, um especialista em simbologia religiosa. Na história, Langdon precisa resolver o mistério acerca do assassinato de um importante cientista e ainda impedir um ataque terrorista ao Vaticano. Para tanto ele vai contar com a ajuda da filha do assassinado, uma bela jovem e também cientista como o pai. A trama ainda envolve uma sociedade secreta ligada ao Papa, chamada Illuminati. (Sinopse daqui)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Gift





Ás vezes nota-se mesmo o quão injusta é a vida...
Viver até aos 40, e morrer aos 40... Com apenas metade da vida vivida, sem ter a oportunidade de viver os 50, os 60 ou os 70... De gozar a reforma... De provávelmente gozar a melhor altura que a vida nos pode dar...
Viver até aos 40, e morrer aos 40... Deixar uma filha e um marido, que sempre se mostraram disponiveis para a acompanharem... Para lutarem ao lado dela pela vida, empurrando a morte para os fundos...
Viver até aos 40, e morrer aos 40... Depois fico a pensar... No sofrimento que antecedeu toda esta situação... Nos meses e meses a quimioterapia...
O cabelo a cair, as forças a ficarem dentro daquele hospital...

Estáva longe.
Mas confesso que de uma maneira ou de outra mexe...
A ultima vez que a vi foi em Setembro... Estava doente... Visivelmente doente... Mas tinha a grande capacidade de manter aquele sorriso, aquela pele clara e a boa disposição que lhe era inerente...
Brincava com o facto de ter o cabelo rapado, naquela altura, e de ter rebentado um chinelo...
Estejas onde estiveres, lembra-te do papel que cá desempenhas-te, da ajuda que deste a muitas pessoas e das pessoas que cá deixas...
Hão-de honrar-te...

domingo, 17 de maio de 2009

ha dias em que nao queremos esboçar qualquer sorriso, ou qualquer coisa que se pareça...
simplesmente porque não dormimos, porque não falaram conosco, ou porque até falaram de mais.
mas seja por um outro motivo,
há dias em que não apetece esboçar um sorriso.

lembro-me dos tempos que ria sem parar, tempos em que não percebia metade do percebo hoje, e que para mim as pessoas eram todas boas...
não havia pessoas más...
não podia haver pessoas más...
e para além disso, estava bem sozinho. não me incomodava o silencio...
mas as coisas mudam.
não são estanques...
as coisas mudam de lugares, as pessoas mudam de pessoas, os sitios mudam de sitio...
"mas as coisas mudam...
... felizmente...
... não ficam estanques..."

Pensamento do Dia