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segunda-feira, 1 de março de 2010

do tumulo de Fernando Pessoa li...

"Para se ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive".

Ricardo Reis
1933

domingo, 27 de dezembro de 2009


"Escolher um caminho significa abandonar outros.
Querer percorrer todos os caminhos possiveis
é acabar por não percorrer nenhum."
Paulo Coelho, Brida

terça-feira, 4 de agosto de 2009

dias

em certos dias não apetece ter muita gente à volta... então, lê-se um livro, por exemplo.
pessoas falam comigo, oiço as suas vozes, mas não percebo aquilo que dizem, porque as ideias andam a 1000 à hora na minha cabeça (ou seja, oiço tudo, menos aquilo que a pessoa está a dizer)...
sabe sempre bem fugir um pouco, para um canto que naquela altura é só meu.
ouve-se uma musica na rádio, que por acaso é a adequada (para não dizer que é realmente aquela que se quer ouvir...)
fumam-se 3 cigarros, apenas o primeiro aceso com um isqueiro, os restantes acesos uns pelos outros...

e um trecho fica na cabeça:

... não compreendes, pai, que não posso dormir enquanto não deitar cá para fora tudo o que tenho cá dentro, recordações, desejos, poeiras no caminho, ando esquecido de como se sorri, às três da manhã gostaria que alguém ouvisse as minhas queixas, não, não tenhas medo, pai, a morte da Rita não mudou a minha vida, vou falar mais com este médico que arranjaste e entrar na Faculdade, quem mudou a minha vida foi a morte do avô, é como se ouvisse um barulho ao longe, a sua voz rouca chega a mim devagarinho, um ruído estranho...



(*) - Tudo o que temos Cá Dentro, de Daniel Sampaio

quinta-feira, 19 de março de 2009

Le Petit Prince




"O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um menino inteiramente igual a cem mil outros meninos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
- A minha vida é monótona. E por isso eu aborreço-me um pouco. Mas se tu me cativas, a minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros fazem-me entrar debaixo da terra. O teu chamar-me-á para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo que é dourado lembrar-me-á de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:


- Por favor, cativa-me! disse ela. "




Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Entrudo...



"O costume de se brincar no período do carnaval foi introduzido no Brasil pelos portugueses, provavelmente no século XVI, com o nome de Entrudo.
Já na Idade Média, costumava-se comemorar o período carnavalesco em Portugal com toda uma série de brincadeiras que variavam de aldeia para aldeia. Em algumas notava-se a presença de grandes bonecos, chamados genericamente de "entrudos".
No Brasil, essa forma de brincar — que consistia num folguedo alegre mas violento — já pode ser notada em meados do século XVI, persistindo, com esse nome, até as primeiras décadas do século XX.
A denominação genérica de Entrudo, entretanto, engloba toda uma variedade de brincadeiras dispersas no tempo e no espaço. Aquilo que a maioria das obras descreve como Entrudo, é apenas a forma que essas brincadeiras adquiriram a partir de finais do século XVIII na cidade do Rio de Janeiro. Mesmo aí, a brincadeira não se resumia a uma única forma. Havia, na verdade vários tipos de diversões que se modificavam de acordo com o local e com os grupos sociais envolvidos.
Atualmente, como explica o pesquisador Felipe Ferreira, em O livro de ouro do carnaval brasileiro, entende-se que existiam, no Rio de Janeiro do início do século XIX, duas grandes categorias de Entrudo: O Entrudo Familiar e o Entrudo Popular."



http://pt.wikipedia.org/wiki/Entrudo

sábado, 10 de janeiro de 2009

para cada um interpretar do seu modo...


"Terror em cada uma daquelas pessoas na linda praia, no entardecer de tirar o fôlego.

Terror de ficar sozinho,

terror do escuro que povoava a imaginação dos demónios,

terror de fazer qualquer coisa fora do manual de bom comportameto,

terror do julgamento de Deus,

terror dos comentários dos homens,

terror da justiça que punia qualquer falta,

terror de arriscar e perder,

terror de ganhar e ter de conviver com a inveja,

terror de amar e ser rejeitado,

terror de pedir aumento,

terror de aceitar um convite,

de ir para lugares desconhecidos,

de não conseguir falar uma lingua estrangeira,

de não ter capacidade de impressionar os outros,

de ficar velho,

de morrar,

de ser notado por causa dos seus defeitos,

de não ser notado por causa das suas qualidades,

de não ser notado nem pelos seus defeitos nem pelas suas qualidades.

Terror, terror, terror.

(...)"


Paulo Coelho

In: O Demónio e a Senhorita Prym

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Leituras de Férias...

"As pessoas querem mudar tudo, e ao mesmo tempo desejam que tudo continue igual".

Paulo Coelho
In: O Demónio e a Senhorita Prym

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Em dia de Sagitariano....



"- Olá Veronika.
A jovem tinha um ar apavorado.
- Tu estás bem?
- Estou. Felizmente consegui escapar deste tratamento perigoso, mas isso não se repetirá mais.
- Como é que sabes?
(...)
- Lembras-te da primeira pergunta que te fiz?
- "O que é a loucura"?
- Exactamente. Desta vez vou responder sem fábulas: a loucura é a incapacidade de comunicar as suas ideias. Como se estivesses num país estrangeiro - vês tudo, percebes o que se passa à tua volta, mas és incapaz de te explicar e de ser ajudada, porque não ententes a lingua que falam ali.
- Todos nós já sentimos isso.
- Todos nós, de uma forma ou de outra, somos loucos"

Paulo Coelho
In: Verokina Decide Morrer

domingo, 16 de novembro de 2008

Tudo o Que Temos Cá Dentro


"a vida é um dilema singelo, ou se é bigorna, ou se é martelo"...

Daniel Sampaio


Tudo o que temá cá dentro... ás vezes tem de sair para fora... Temos de desabafar....

ás vezes temos de ter empo para nós, para que possamos perceber tudo o que temos cá dentro...


"nesse segundo já nem sequer serei bigorna porque serei nada

há ainda esperança? Será possivel olhares para mim de novo?

Sinto tudo a oscilar à minha volta, escolho os dias ou o esquecimento?"

Daniel Sampaio


não quero ser bigorna, prefiro ser martelo... O mertelo permite-me martelar sobre aquilo que não quero, sobre o que eu não desejo... se ainda há esperança? agora vejo toda a esperança possivel... sinto-me a cada dia que passa mais livre, mais eu, como era dantes... a cada dia que passa sinto a liberdade a aproximar-se outra vez...

se ainda é possivel olhares para mim de novo? sempre, para sempre será possivel olhares para mim... as vezes que quiseres... quando quiseres...

se escolho os dias ou o esquecimento? cada vez mais me convenço que os escolher os dias será a melhor opção... para quê escolher o esquecimento? afinal para que é que vim a este mundo? para ser esquecido ou para ser lembrado?

(...)


apenas mais 44 dias... passa rápido, é só respirar fundo e fechar os olhos... quando os voltar a abrir já tudo estará bem...

como era dantes...

como era há uns tempos atrás...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

a divagar...


"e quando o ideal cai
tudo aquilo que promete
nunca acontece"

Loja de Porcelanas_Clã

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Tudo o que temos cá dentro (II)


"Batem as Portas, em tons de suicidio, como se fosse um corpo a cair do nono andar..."


Daniel Sampaio

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Tudo o que temos cá dentro

"Queria dizer-te uma coisa: agora que já decidi morrer, a casa do Meco é para mim uma ruína. Os locais de amor infeliz transformam-se em destroços. No momento em que tive a certeza que não veria de novo o teu cabelo com gel e o teu olhar de miudo, em que fiquei certa de que a minha salvação, dantestão perto, se tinha perdido em definitivo, para quê continuar?
Sei, neste instante, que só restam sombras, medos, solidão à noite no meu quarto, a minha mãe na sala ao lado a ver televisão, a frase do meu pai quando o encontrei há um ano num café de Campolide (um balcão enorme a servir sopas, pastéis de bacalhau e rissóis de camarão, mesas alinhadas a quatro, uma toxicodependente magríssima a pedir um bolo e a ser mandada embora por um empregado de bigode).
«A vida é um dilema singelo, ou se é bigorna ou se é martelo»"
Daniel Sampaio

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Uma questão de mundos...

- Não! Não! Eu não quero um elefante numa jibóia. A jibóia é perigosa e o elefante ocupa muito espaço. Tudo é pequeno onde eu moro. Preciso é dum carneiro. Desenha-me um carneiro.
Então eu desenhei.

Olhou atentamente, e disse:
- Não! Este já está muito doente. Desenha outro.
Desenhei de novo.




O meu amigo sorriu com indulgência:
- Bem, isto não é um carneiro. É um bode... Olha os chifres...
Fiz mais uma vez o desenho.


Mas ele foi recusado como os precedentes:
- Este é muito velho. Quero um carneiro que viva muito.
Então, perdendo a paciência, como tinha pressa de desmontar o motor, rabisquei o desenho ao lado.
E arrisquei:
- Esta é a caixa. O carneiro está lá dentro.



Mas fiquei surpreso de ver iluminar-se a face do meu pequeno juiz:
- Era assim mesmo que eu queria! Será preciso muito capim para esse carneiro?
- Porquê?
- Porque é muito pequeno onde eu moro...
- Qualquer coisa chega. Eu dei-te um carneirinho de nada!
Inclinou a cabeça sobre o desenho:
- Não é tão pequeno assim... Olha! Adormeceu...
ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY
Adaptado de: O Principezinho

sexta-feira, 20 de abril de 2007


"Para mim, esta é a mais bela e mais triste paisagem do mundo.

(...) Foi aqui que o principezinho fez a sua aparição na terra e, depois, desapareceu.

Fixem bem esta paisagem para a poderem reconhecer se um dia fizerem uma viagem a África e forem ao deserto.

Se passarem por este sitio, suplico-vos: não tenham pressa, fiquem um bocadinho à espera, mesmo por baixo da estrela!"


Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho

Pensamento do Dia